Vamos agora falar sobre uma doença pouco conhecida e pouco falada mas que está cada dia mais comum devido em parte ao nosso estilo de vida: a doença de Crohn!

A doença de Crohn é uma doença inflamatória crônica que pode se manifestar em qualquer parte do tubo digestivo (desde a cavidade oral até a região anal) sendo mais comum na final do intestino delgado (íleo) e do intestino grosso. Não há cura descrita, mas os pacientes que mantém acompanhamento e tratamento podem ter uma vida normal, com os sintomas bem controlados!


Sua causa ainda não está esclarecida, por isso ainda é um mistério para muitos médicos, principalmente para quem não é especialista. Os pacientes com doença de Crohn em sua maioria serão tratados por gastroenterologistas ou coloproctologistas. Sua causa é considerada multifatorial já que há influência de diversos fatores, principalmente fatores genéticos, contato com vírus e bactérias na infância, fatores ambientais, como estilo de vida, estresse, hábitos alimentares, e fatores imunológicos.
Pode afetar tanto adultos como crianças, tendo dois picos de incidência, entre os 20 e 30 anos e depois entre os 50 e 60 anos, não havendo predominância de sexo.


Os sintomas mais comuns são: alterações de hábito intestinal, normalmente com vários episódios de diarréia durante o dia, perda de peso e dor abdominal. As fezes podem conter sangue ou muco. Além disso febre, alterações nos olhos, articulações e na pele podem ocorrer. Aproximadamente um terço dos paciente tem manifestações no ânus e canal anal, principalmente fístulas.


O diagnóstico da Doença de Crohn depende da avaliação em conjunto dos sintomas e queixa dos pacientes, exame físico e exames complementares. Além disso, é importante esclarecer que não há um exame que comprove a doença. Nessa pesquisa é importante excluir outras doenças que causem os mesmos sintomas.
colonoscopia com biópsia e avaliaçãodo íleo terminal é o melhor recurso para o diagnóstico da doença. O exame histopatológico do material colhido na biópsia pode confirmar a suspeita. A tomografia computadorizada do abdome pode ser útil na identificação de fístulas entre alças intestinais e outras alterações. Outros exames como radiografias do abdome, exame contrastado do intestino delgado podem ajudar. Os exames laboratoriais também são importantes no diagnóstico e controle da enfermidade.


O tratamento depende da forma de apresentação da doença e do grau de gravidade, é iniciado quase sempre com medicamentos. O corticosteroide é a medicação mais usada para ajudar nas crises e tentar controlar os sintomas, porém não é a medicação escolhida para o tratamento de longo prazo. Várias outras medicações podem ser associadas com o objetivo de fazer regredir a inflamação dos tecidos como os aminosalicilatos, os imunossupressores e a terapia biológica. Alguns casos necessitam de intervenção cirúrgica para tratamento de complicações. A indicação mais comum de cirurgia é o tratamento das estenoses (estreitamento) intestinais.


Como vimos, é uma doença complexa, que necessita de acompanhamento frequente de um médico especialista para o controle adequado dos sintomas e melhor qualidade de vida do paciente!
Se houver alguma dúvida, entre em contato pelo site ou agende uma consulta!!


Dra. Renata Bandini
Coloproctologista